Boanerges Cezário*
A vida passa rápido para quem não tem o que fazer e lenta
para que está trabalhando.
Quando exercia a função de Meirinho Federal, ficava alegre
na 6ª feira e sorumbático no domingo, depois de assistir algum programa na
televisão, lembrando que a 2ª feira iria chegar pela manhã.
Mas eis que já passaram alguns meses e fiz um curso de
hacker (do bem, é claro) e invadi conversas de grupo de Oficiais no serviço.
Encontrei diversos relatos, uns até falando mal de mim, mas , achei também uma narrativa de uma diligência acontecida lá pras bandas de Tibau do Sul, envolvendo uns abençoados meirinhos, que se estavam lá era para estarem, pois se não estivessem, ali não estariam e a ocorrência poderia ter acontecido ou não.
Mas eis, que só sei, sem citar nome, que a perrenga
aconteceu porque uma dulpa de OJs, retornou à uma Barraca instalada na beira
mar de uma daquelas praias do citado município
Sei que na narrativa, só para ilustrar, um Oficial falava
que nada havia mudado por lá, segundo ele. O sujeito
reclamava que “só aquela escadaria tinha ficado mais íngreme. “
Antes de ir ao final da estória, atento que a escadaria deve
estar do mesmo jeito, já as pernas, a coluna e/ou a espinhela caída do meirinho
é que devem ter mudado, tendo em vista que ele sustenta uma pança, motivada por
excessos de relacionamento com louras...geladas.
A coisa segue, relata o referido infame no grupo, que numa
diligência anterior um dos ocupantes chegou a avisa-los, certamente para
intimidar , que fazia parte de uma facção rival da que disputava o local .
O texto da msg dizia o seguinte, nas próprias palavras dele,
ou seja, do Oficial da diligência:
“Desta feita, um
fato que me fez ter medo foi a notícia do assassinato daquele baixinho
meio invocado que se apresentou como dono daquela barraca onde funcionava outro
empreendimento. Não sei se você se
lembra, mas tentou nos intimidar,
dizendo que fazia parte de uma facção rival, a qual, segundo ele, teria botado moral no pedaço”
Na conversa, o narrador relatava que “os bandidos desceram a escada e "torraram" o baixinho na bala. E em razão do referido sinistro, o empreendimento vizinho também desocupou aquele espaço.
Sei que , para encerrar a contagem dos fatos,
o Oficial informava, ainda na referida conversa, que o juiz mandou derrubar as Barracas envolvidas, ou seja, a do fuzilado e a
vizinha...
A narrativa é longa, mas mostrei tudo a Zé Bidu, Oficial de
Justiça aposentado que mora no agreste, e ele esticou o celular pra frente ,
tirou os óculos e disse-me assim.
_ Moço, isso acontece, todo Oficial passa por algumas
ocorrências complicadas, mas...
Perguntei logo:
_ Mas o que, Zé? desembucha.
_ o baixinho fuzilado, que ameaçou os
Oficiais, não
sabia que um dos Oficiais ameaçados por ele era membro de uma família numerosa
lá das bandas de Caraúbas, cujo membro mais famoso se chamava Valdetário...
Perguntei logo:
_ O que você quer dizer com isso,
Zé?
Matreiro, Zé Bidu já havia pegado
o boné, acendido um cigarro e saído de fininho sem responder à minha indagação.
Moral da Estória: Antes de bater
na porta, pergunte quem está dentro...Ou não!?
Escritor*
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