sábado, 29 de agosto de 2026

DE AMEAÇA A VIDRAÇA

 Boanerges Cezário*

A vida passa rápido para quem não tem o que fazer e lenta para que está trabalhando.

Quando exercia a função de Meirinho Federal, ficava alegre na 6ª feira e sorumbático no domingo, depois de assistir algum programa na televisão, lembrando que a 2ª feira iria chegar pela manhã.

Mas eis que já passaram alguns meses e fiz um curso de hacker (do bem, é claro) e invadi conversas de grupo de Oficiais no serviço.

Encontrei diversos relatos, uns até falando mal de mim, mas , achei também uma narrativa de uma diligência acontecida lá pras bandas de Tibau do Sul, envolvendo uns abençoados meirinhos, que se estavam lá era para estarem, pois se não estivessem, ali não estariam e a ocorrência poderia ter acontecido  ou não.

Mas eis, que só sei, sem citar nome, que a perrenga aconteceu porque uma dulpa de OJs, retornou à uma Barraca instalada na beira mar de uma daquelas praias do citado município

Sei que na narrativa, só para ilustrar, um Oficial falava que  nada  havia mudado por lá, segundo ele. O sujeito reclamava que “só aquela escadaria tinha ficado mais íngreme. “

Antes de ir ao final da estória, atento que a escadaria deve estar do mesmo jeito, já as pernas, a coluna e/ou a espinhela caída do meirinho é que devem ter mudado, tendo em vista que ele sustenta uma pança, motivada por excessos de relacionamento com louras...geladas.

A coisa segue, relata o referido infame no grupo, que numa diligência anterior um dos ocupantes chegou a avisa-los, certamente para intimidar , que fazia parte de uma facção rival da que disputava o local .

O texto da msg dizia o seguinte, nas próprias palavras dele, ou seja, do Oficial da diligência:

“Desta feita, um  fato que me fez ter medo foi a notícia do assassinato daquele baixinho meio invocado que se apresentou como dono daquela barraca onde funcionava outro empreendimento. Não sei se  você se lembra,  mas tentou nos intimidar, dizendo que fazia parte de uma facção rival, a qual,  segundo ele, teria botado moral no pedaço”

 

Na conversa, o narrador relatava que “os bandidos desceram a escada e "torraram" o baixinho na bala. E em razão do referido sinistro, o empreendimento vizinho também desocupou aquele espaço.

Sei que , para encerrar a contagem dos fatos,  o Oficial informava, ainda na referida conversa,  que o juiz mandou derrubar as Barracas  envolvidas, ou seja, a do fuzilado e a vizinha...

A narrativa é longa, mas mostrei tudo a Zé Bidu, Oficial de Justiça aposentado que mora no agreste, e ele esticou o celular pra frente , tirou os óculos e disse-me assim.

_ Moço, isso acontece, todo Oficial passa por algumas ocorrências complicadas, mas...

Perguntei logo:

_ Mas o que, Zé? desembucha.

 

_ o baixinho fuzilado, que ameaçou os Oficiais, não sabia que um dos Oficiais ameaçados por ele era membro de uma família numerosa lá das bandas de Caraúbas, cujo membro mais famoso se chamava Valdetário...

Perguntei logo:

_ O que você quer dizer com isso, Zé?

 

Matreiro, Zé Bidu já havia pegado o boné, acendido um cigarro e saído de fininho sem responder à minha indagação.

 

Moral da Estória: Antes de bater na porta, pergunte quem está dentro...Ou não!?


Escritor*

                                                                           

 

 

 

 

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